Medo Bobo



Ela tem medo de chuva, sabia? Ela fala que 'é arriscado sair nessa chuva', como se as gotinhas fossem balas perdidas!
Tá, eu tô exagerando um pouquinho. Ela só tem medo de trovões. Ah, e de raios também. Nos primeiros barulhos e clarões, ela já está se escondendo em baixo das cobertas, como se fossem uma redoma protetora.
Eu não a conhecia nessa época, mas aposto que até hoje ela ainda tem medo de assistir Castelo Ra-tim-bum, principalmente na hora que o Tio do Nino berra 'Raios e trovões!'
É um medo bobo? Pra mim é, mas o medo é subjetivo. Eu morro de medo de perder ela. Talvez isso seja meio bobo também, mas fazer o que, né? Cada um com o seu.
É incrível como as coisas mudam.
Num tempo ela estava do meu lado, mas ao mesmo tempo distante. Pouquinho tempo depois ela estava longe , mas muito mais perto do que antes, a ponto de imaginar ela pertinho de mim.
- Teamo, sabia?!
- Eu também amo você, Dona Encrenca.
- Eu sei.
- Então desce logo pra abrir o portão porque está chovendo forte e vai molhar o bolo de cenoura que a mamãe mandou pra você!
Foda-se que é uma noite chuvosa. Lava a alma e a roupa molhada a gente põe pra secar atrás da geladeira.
Ela deitou comigo e as 3h11 da manhã  pegou no sono de repente, enquanto eu fazia cafuné e falava qualquer besteira baixinho só pra distrair ela da chuva.
Abraçados e cobertos, acho que os medos passaram, pelo menos por hoje.

Ela não prometeu nada, mas cumpriu exatamente tudo.



Por Diego Henrique (www.somentesobrenos.com.br



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